16 de mar de 2010

NÃO INTERESSA A SUA FORMAÇÃO, MAS SIM A DIFERENÇA QUE A SUA PRÁTCA SOCIAL E PEDAGÓGICA FAZ NA VIDA ESCOLAR DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES.

A história da educação é contada e recontada diversas vezes de formas parecidas, diferentes, mas nenhuma muda. Não acrescenta, só educa súditos conhecedores da história e mortos na realidade.

O que se vê são profissionais que só sabem se queixar, tudo é péssimo, tudo é difícil, nada adianta, e sempre os culpados são o sistema, os políticos, os alunos, menos os professores.

Para compreender melhor o que quero dizer vou relatar uma colocação de Bryne (2007, p. 163), “as coisas que você deseja não lhe são dadas por pessoas”. Nosso fracasso e/ou sucesso depende unicamente de uma pessoa.

Na realidade, o ensino educacional se apresenta com a finalidade de “prover as condições e meios pelos quais os alunos assimilam ativamente conhecimentos, habilidades, atitudes e convicções” (LIBÂNEO, 1996, p 29) . A educação acontece de formas diversificadas e em todos ambientes de nosso convívio social, cultural, político e religioso de maneiras diferente. Durante séculos o processo educacional passa por transformações. A evolução acontece os intelectuais aparecem e a sociedade os reprime.

Durante anos em minha prática pedagógica estabeleci um olhar holístico sobre a educação e a formação do profissional dessa área. De repente, me vi frente a uma realidade de profissionais diplomados e sem qualquer práxis pedagógica que atenda as necessidades de seus educandos. Antes, a culpa da má qualidade do ensino era a falta de qualificação dos docentes.
Hoje esse quadro mudou e a educação continua em defasagem e sem qualquer qualidade. Sem contar que ainda não compreendemos que cada um tem um papel social a ser desenvolvido, aliás, diversos papéis sociais a serem desenvolvidos em vários ambientes sociais de nosso convívio.
Os educadores, formadores, são a engrenagem principal da máquina chamada sociedade, todos os profissionais passam pelas mãos de um educador/formador, agora se eles serão bons naquilo que fizerem dependem do que os educadores/formadores promovem e desenvolvem em sua prática pedagógica.

Sinceramente, coloco no chinelo os anos de profissão e a formação de muitos profissionais do Município onde moro. Sou educadora desde os 19 anos, e minha formação é a antiga e prática Técnico em Magistério.

Os profissionais em educação precisam compreender que a função e o papel social da escola vão além do ensinar/aprender. Estamos falando de pessoas e construção de identidade social, cultural, política, econômica e religiosa, por meio de fundamentos filosóficos e psicológicos que constroem e formam o individuo em cidadão que por si desenvolve papéis em cada ambiente social. E esse processo de desenvolvimentos de papéis que influenciam no resultado social e na construção ou formação de cidadãos críticos e autônomos, ou alienados súditos obedientes permissíveis.

Quando me formei no magistério, lecionei durante 8 anos para adolescente e adultos no antigo Científico a disciplina Língua Portuguesa. Enfrentei muitas dificuldades. No entanto, venci todas, falta de condições de trabalho digno, falta de formação e informação. Nada que a prática e a perspectiva se superar obstáculos não superasse. Fui além, muito além de ensinar e aprender. Promovi trabalhos de valorização cultural e social,  desenvolvi projetos que fizeram diferença.

Mas, sentia que podia ir além, que algo muito além do que estava praticando e que poderia ser mudado. Pois, aqueles educandos já tinham uma concepção formada e crava em suas mentes, que dificilmente poderia ser mudadas, talvez adequadas.

Então, decide me dedicar as novas gerações, no principio de sua formação escolar onde começa tudo, e se for bem alicerçada e fundamentada será promovida para a vida inteira.

Então, com apenas o magistério passei em um concurso público municipal e assumi umas turmas de séries iniciais. Na qual realmente faço a diferença e sei promover uma educação de qualidade por meio de práticas e muita pesquisa.

Durante 2 anos e 8 meses aproximadamente, fui perseguida e retalhada por expor minhas concepções de educação e contrariedade pela forma que as escolas difundem seu processo de ensino-aprendizagem.

Cury (2003, p. 79), acrescenta ainda que “os mestres fascinantes podem ser desprezados e ameaçados, mas sua força é imbatível”. Diante dessa, reflexão é importante fazer a diferença.

Meu trabalho, hoje,  com uma turminha de 20 alunos, cada um com suas necessidades e dificuldades. Uma turminha difícil e indisciplinada. Cheguei cheia de gás. Propus a equipe gestora meus projetos e estou fazendo um sucesso, pensa... com apenas o magistério.

Considero a formação dos docentes essencial e fundamental, mas não como ferramenta principal para a promoção de uma educação de qualidade, que vai além da coleção de diplomas e certificados dos profissionais.

É preciso e necessário, portanto, uma mudança na concepção do papel dos docentes na atual conjuntura social. E a percepção da importância desse papel para a fundamentação e promoção de uma educação mais humanizada  e desenvolvida na totalidade da evolução humana.

Não somos transmissores de conhecimento, para isso temos livros, revistas, internet e outros meios de comunicação em geral. Somos construtores de uma sociedade consciente e justa, que por meio do diálogo fundamenta e fórmula coletivamente a construção da igualdade em respeito a diversidade.

Portanto, continuo afirmando que para ser um educador e/ou formador que promove uma educação de qualidade e práticas pedagógicas que fazem a diferença vão além de um currículo de diplomas e certificados. Para ser um educador/formador que faz a diferença é necessário ter um perfil, e estabelecer e definir o seu papel social na educação e exercer esse papel.

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