30 de out. de 2009

A ALFABETIZAÇÃO CONTEXTUALIZADA NA FAMÍLIA: a indisciplina na escola

A ALFABETIZAÇÃO CONTEXTUALIZADA NA FAMÍLIA: a indisciplina na escola

Por: Vanderli Cássia Spredemann

RESUMO
O presente trabalho tem por finalidade discutir a alfabetização contextualizada na família, abordando a importância da família para dar sustentação e alicerçar a formação educativa na fase da alfabetização. O objetivo principal deste trabalho é distinguir os modelos teóricos que delineiam o conceito de disciplina, interferindo na forma de conduta que pais, alunos e professores assumem diante do processo escolar. Para tanto, busca-se refletir sobre as concepções pedagógicas tradicionais e modernas que condicionam os julgamentos sobre a conduta da criança e do adolescente dentro da família e da escola, procurando perceber o efeito das regras disciplinadoras nas relações entre pais e filhos e professores e alunos.

Palavras-chaves: alfabetização, família, limites.

Introdução
A falta de limite e a ausência da família na educação dos filhos refletem cada vez mais em sua formação educacional. É imprescindível, pois, considerar que a indisciplina é um sintoma da desestruturação familiar na sociedade moderna, mostrando como o ambiente familiar exerce influência preponderante no comportamento dos alunos na escola, prejudicando inclusive a relação professor e aluno. De modo semelhante é fundamental compreender que a indisciplina na escola tem relação imediata com todos os elementos envolvidos com a prática escolar, podendo ser concebida como um problema que prejudica um processo pedagógico coerente e eficaz, encontrando-se profundamente relacionada à forma como a escola organiza e desenvolve seu trabalho.
Portanto, o presente artigo tem por objetivo refletir sobre a indisciplina e a relação família x escola na construção da identidade cidadã de crianças e adolescentes, fazendo um panorama diante da responsabilidade da família sobre o comportamento do educando, e o papel do professor.



DESENVOLVIMENTO
A problemática da disciplina vive um momento de fragilidade em que as abordagens psicológicas tendem a ser encaradas ou com repúdio demais – autoritarismo – ou com aceitação abusiva – permissividade. Assim, quando se trata de educar com responsabilidade crianças e adolescentes os adultos – pais e professores – hesitam no caminho a seguir, não sabem como agir.
Na educação, as respostas derivadas da chamada Escola Nova, da Teoria da Não-diretividade, de Carl Rogers, da Psicanálise, das teorias das relações humanas, entre outras, trouxeram, todas elas, maior possibilidade de diálogo. Trouxeram, sem dúvida, mais compreensão, maior conhecimento das necessidades da criança em suas diferentes fases de desenvolvimento e, portanto, menos autoritarismo na relação entre pais e filhos, bem como professores e alunos. Nenhuma delas pretendia incentivar, porém – é importante ressaltar -, a falta ou ausência de autoridade na relação pais – filhos (ZAGURY, 1998, p.19-20).

A educação moderna trouxe, certamente, novas concepções para as relações pedagógicas, mas também contribuiu para gerar um clima de confusão. As teorias psicológicas que deveriam contribuir para a abertura ao diálogo nas relações acabou por instaurar um clima de insegurança. Receosos, os pais parecem verificar cada vez mais que o modelo autoritário não resulta bons comportamentos, mas a direção que por vezes seguem é feita de silêncios, ambigüidades e falta de convicção.
Partindo desse pressuposto, o conceito de disciplina associava-se a idéia de impor limites aos comportamentos do homem, sobretudo, no meio social. Entretanto, com as idéias liberais tal conceito fragmenta-se dando um novo sentido à liberdade na relação pais-filhos e professor-aluno.
Na sua ambigüidade, a indisciplina expressa uma forma de interromper as pretensões do controle homogeneizador imposto pela escola ou pela família. Tanto nas brigas (envolvendo pais e filhos ou alunos e professores) como nas brincadeiras, existe uma duplicidade que, ao garantir a expressão de forças heterogêneas, asseguram a coesão dos alunos, pois eles passam a partilhar de emoções que fundam o sentimento da vida coletiva.
O conceito de indisciplina se relaciona, então, com o conjunto de valores e expectativas que variam ao longo da história, entre as diferentes culturas e numa mesma sociedade. Na escola e na família, entretanto, a disciplina parece ser vista como obediência cega a um conjunto de prescrições. Dentro dessa visão, as regras são imprescindíveis ao ajustamento, controle e coerção da criança e do adolescente, mas na escola a visão que predomina é aquela que considera qualquer manifestação de inquietação, questionamento, conversa ou desatenção por parte dos alunos como indisciplina.
Sentir limites é para a criança uma questão de segurança – uma necessidade básica. Não estabelecer limites é uma opção que um pai pode fazer. Mas é importante que, se o fizer, o faça sabendo que, ao contrário do que possa parecer, é também através dos limites que a criança percebe que alguém se preocupa com ela e a protege. O limite faz com que ela perceba também que esse alguém é um alguém forte, que sabe e tem segurança do que faz. Além disso, se nos mostrarmos inteiros, com direitos, também nos revelamos aos nossos filhos como seres humanos, exatamente como lhes mostramos que eles são. Somente com direitos e deveres de ambas as partes é que se poderá construir uma relação equilibrada, saudável e democrática (ZAGURY, 1998, p. 31).

Pais e professores democráticos parecem conseguir um maior equilíbrio entre a necessidade de controlar e dirigir as ações infantis, de exigir seu amadurecimento e independência. Essas relações apresentam alto nível de comunicação e afetividade, distinguindo-se da postura rígida e controladora das relações autoritárias bem como de uma educação permissiva, tão prejudicial quanto os efeitos de uma educação severa e autoritária.
Nesse contexto de transformação relacional, o conceito de disciplina associa-se a uma indefinição axiológica da parte do professor tanto quanto dos pais. Isto porque a família a escuta e acostumada com a autoridade e o autoritarismo, sofrem uma relativa instabilidade no que se refere à educação das crianças. As correntes idéias da prática da liberdade e da responsabilidade exige da parte do professor competências técnicas e relacionais que a escola tradicional não exigia. Os pais também não sabem como agir.
É oportuno assinalar que a escola, como qualquer outra instituição, está planificada para que as pessoas sejam todas iguais. Mas esse fator de homogeneização exerce-se por mecanismos disciplinares, contribuindo à imposição de uma atitude de submissão e docilidade. As escolas são contextos demasiado complexos, assumem-se como espaços de mediação social e instrumental a não desprezar quando abordamos os comportamentos daqueles que os percorrem.
Neste sentido, quer os comportamentos destrutivos quer os comportamentos assertivos deverão deixar de ser entendidos como fenômenos individuais para serem compreendidos como fenômenos organizacionais. Entende-se, então, que o problema da disciplina nas escolas implica, hoje, a discussão e a reflexão constantes acerca do sentido, das possibilidades e das limitações dos projetos de intervenção educativa que aí têm lugar. Não se confunda deliberada ou ingenuamente comportamentos delinqüentes com comportamentos irreverentes que implicam intervenções necessariamente diferenciadas no âmbito dos contextos educativos. Compreende-se que as transformações globais das sociedades contemporâneas são irreversíveis e que as escolas, a exemplo de outras instâncias e organizações, não poderiam ser imunes às mesmas.
A família desempenha função vital na aprendizagem da criança, isto porque os desejos que os pais revelam sobre o seu futuro são determinantes no rendimento escolar. Pais atentos que desejam o melhor para seus filhos incentivam os na escola, mas pais desatentos chegam a pensar que são os professores responsáveis pela educação integral de seus filhos.
Além disso, os pais e professores ficam confusos e inseguros frente as novas correntes pedagógicas. Não sabem agir por outra via que não o autoritarismo, a permissividade ou a abstenção de responsabilidades. O importante é reconhecer que a família tem influência preponderante no aprendizado escolar, mas não se deve adotar posições extremas para isentar a família de sua função na escola ou de atribuir a ela toda a responsabilidade pelo desempenho escolar do aluno. Pelo contrário, urge conscientizar-se de que a família e a escola precisam cooperar no processo de formação educativa da criança.
O envolvimento dos pais no desenvolvimento dos filhos é muito importante não só porque desperta a responsabilidade da família na escola, mas também porque preocupa-se com uma postura mais centrada na criança. Ao contrário de tomar atitudes autoritárias, os pais precisam dedicar tempo a atividades conjuntas com a criança, tornando o ambiente educativo propício à convivência de valores significativos a conduta disciplinar da criança.
Importa enfatizar que o envolvimento dos pais contribui para melhorar o desempenho escolar das crianças, viabilizando o desenvolvimento cognitivo e melhor ajustamento em sala de aula. Em contrapartida, a escola também precisa se reorganizar, pois o modelo que prevalece é ainda de uma escola meritocrática, classificatória que, se não exclui por meio de reprovações, exclui por uma aprendizagem que não ocorre ou até mesmo impede a participação dos pais. É preciso transformar a vida da aula e da escola, de modo que se possam vivenciar práticas sociais e intercâmbios que conduzam à solidariedade, à colaboração, à experimentação compartilhada, assim como a outro tipo de relações com o conhecimento e a cultura que estimulem a busca, a comparação, a crítica, a iniciativa e a criação.
Esta investigação tem por objetivo identificar e analisar, no âmbito da rede oficial de ensino do município de Formosa-GO, que está espaço está sendo destinado à questão da disciplina nas séries iniciais dentro do contexto da família e da escola.
Para isso, fez-se necessário assinalar os fatores que vêm influenciando a relação professor-aluno e aluno-aluno dentro da sala de aula de modo a comprometer o processo pedagógico com o aparecimento de comportamentos indisciplinados. Pretende-se, com isso, compreender as causas e os efeitos da disciplina na sala de aula, conclamando propostas e abordagens teóricas que possibilitem reduzir o impacto negativo dos atos indisciplinados no rendimento escolar dos alunos de 1ª a 4ª série.
A importância deste estudo está na busca dos limites na relação entre pais e filhos e professores e alunos para equacionar o problema da indisciplina, visto que desde cedo as crianças precisam conviver em relações respectivas e harmoniosas, mas que também favoreçam o reconhecimento das regras, normas e valores no desenvolvimento de condutas autodisciplinas e responsáveis.

CONCLUSÃO
A essência da interação família-escola expressa-se, então, no reconhecimento da importância da convivência dos pais na educação dos filhos, no compartilhamento das atividades estimuladoras do desenvolvimento cognitivo, físico, emocional e social da criança. No entanto, são muitos os obstáculos, de natureza cultural e socioeconômica, para que a prática da integração família-escola se consolide. O perfil da família está mudando, predominando cada vez mais a pequena família nuclear, com menos filhos, avós e tios distantes, pais e mães trabalhando fora. Com muita freqüência, falta um dos genitores, ou se trata de uniões refeitas, em que o relacionamento com as crianças precisa ser reelaborado, gerando muitas vezes tensões e conflitos.
O resultado do problema da indisciplina será um excesso de democracia que levou a isto? Não. A responsabilidade é dos pais, da escola e do professor. Todos têm responsabilidade na formação da conduta da criança, cabe a escola e a família impor limites sem restringir ou extrapolar demais o controle disciplinar. Os pais, porque se encheram de medo de causar traumas e não sei o que mais, e se esquecem de traçar limites, obrigações e princípios de comportamento, talvez para não ficarem cansados com os filhos. Para eles os filhos são uns anjinhos, bonitinhos, certinhos, incapazes de traquinagens e de coisas piores. Errados, para eles, são a escola, os professores, os outros.
Soluções para os chamados problemas de "indisciplina" deverão basear-se, portanto, numa análise exaustiva da situação, na reflexão, no diálogo e em técnicas que capacitem os alunos para o autocontrole e a responsabilidade por sua conduta. Para isso, contudo, é necessário que a sala de aula se firme enquanto espaço público, lugar de reprodução das realizações coletivas e exercício permanente de si próprio. O primeiro passo à autodisciplina é certamente a valorização da autonomia e da co-responsabilidade entre alunos e professores e essa tarefa não é tão fácil quanto parece.
Negociando significados, acolhendo o que o aluno traz, estabelecendo com ele um diálogo efetivo. Só através dessa negociação com os alunos o professor confere sentido ao que ensina e induz à autodisciplina. É imprescindível, pois, privilegiar na educação as formas de convivência social: a comunicação, a interação, o respeito pela diferença e pluralidade, as decisões em grupo, a solidariedade e a justiça social a fim de que as crianças encontrem condições significativas para aprender agir segundo valores morais, éticos e sociais responsáveis e conscientes de suas limitações.
Portanto, o papel da educação, assim, é o de se esforçar para disciplinar o aluno e inculcar-lhe regras de conduta. A pedagogia tradicional, de um lado, desvaloriza o aluno e, de outro supervaloriza o professor, concebido como detentor único dos conhecimentos, concebido sob uma forma ideal de sábio.

REFERÊNCIAS
AQUINO, Julio Groppa. Indisciplina na escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus, 1996.
ESTRELA, Maria Teresa. Relação Pedagógica, Disciplina e Indisciplina na Aula. 3. ed. Porto Codex – Portugal: Porto, 1998. (Coleção Ciências da Educação).

KAMLOT, Eliane. Família, desejo e aprendizagem. Psicopedagogia - Revista da Associação Brasileira de Psicopedagogia. São Paulo, 16(40): 28-34, 1997.

LIBÂNEO, José Carlos. Democratização da escola pública. A pedagogia crítico-social dos conteúdos. São Paulo: Loyola, 1985.

MATURANO, Edna. Ambiente familiar e aprendizagem escolar. Psicopedagogia - Revista da Associação Brasileira de Psicopedagogia. São Paulo, 16(48): 21-26, 1999.

ROURE, Susie Amâncio Gonçalves de. Concepções de Indisciplina Escolar e Limites do Psicologismo na Educação. Programa de Mestrado em Educação Brasileira UFG, dez. 2000.

SAVIANI, Demerval. Escola e Democracia: teorias da educação; curvatura da vara; onze teses sobre educação e política. São Paulo: Cortez/Autores Associados, 1983.

ZAGURY, Tânia. Relação Professor/Aluno, Disciplina e Saber. Pátio Revista Pedagógica. Porto Alegre – RS, 2(8):9-12, fev. 1999.

_____. Sem padecer no Paraíso: em defesa dos pais ou sobre a tirania dos filhos. Record , 1998.



O ELO DO EDUCADOR

APRENDIZAGEM E SUAS ESFERAS EDUCACIONAIS: UMA VISÃO HOLÍSTICA E UNIVERSAL DA NECESSIDADE DA MUDANÇA

Por: Vanderli Cássia Spredemann

Pergunte a um professor qual o principal problema da educação hoje? Com certeza as respostas mais comuns serão: desvalorização do profissional, baixo salário, falta de reconhecimento, e a indisciplina dos alunos... Há a indisciplina dos alunos.
Essas respostas são famosíssimas. Todo profissional da educação sofre as conseqüências da geração do estresse, da depressão, do fanatismo da necessidade do ter.
De acordo com Wilkinson (1998, p. 13) “o professor é o elo vivo entre o conteúdo e a classe, e a forma como ele realiza essa tarefa constitui o cerne do ensino”. Trata-se da mais pura realidade.
O professor, educador ou facilitador como é chamado hoje, é o elemento de junção entre o conhecimento e o aluno. Somos espelhos de geração em geração, formadores de agentes construtores de sua própria história. E ai, qual história você está construindo?
O que se vê são profissionais que só sabem se queixar, tudo é péssimo, tudo é difícil, nada adianta, e sempre os culpados são o sistema, os políticos, os alunos, menos os professores.
Para compreender melhor o que quero dizer vou relatar uma colocação de Bryne (2007, p. 163), “as coisas que você deseja não lhe são dadas por pessoas”. Nosso fracasso e/ou sucesso depende unicamente de uma pessoa. Adivinha quem é?
Claro, meu fracasso ou sucesso depende unicamente de mim. Sou eu que traço meu caminho, o que quero, aonde desejo chegar.
O ensinar e apreender é um processo histórico, desde do inicio da humanidade, o que se tem mudado e evoluído muito, é a maneira, ou seja, as formas como se dá esse processo.
Ensinar e apreender, hoje, é muito mais que ministrar conteúdos, transmitir conhecimentos, dar aulas. Envolve afetividade, motivação, formação e construção.
Para Wilkinson (1998, p. 20) “o divórcio entre ensino e aprendizagem é trágico, e é a raiz de muitos de nossos males educacionais”.
Nesse sentido, posso afirmar que vivenciamos o ensino-aprendizagem em todos os lugares, e com tudo isso, basta apenas canalizar e peneirar o conhecimento aproveitando o que é bom e deletando o que ruim.
O que chama a atenção, nos dias atuais, é a desmotivação dos profissionais da educação. Eles não pensam mais como seres humanos e não se preocupam uns com os outros, com o meio. São alheios aos acontecimentos e dizem que esse problema não é meu. Já fiz muito isso. A desmotivação é uma doença que causa o descompromisso. Para você ver ninguém é imune até que queira ser.
Hoje, os profissionais em educação medem seu potencial com o número de alunos que reprovou em sua disciplina.
Já tive sérios problemas com os professores de meus filhos, quando questionei o porquê de baixas notas... É foi taxada, quase apanhei, pois leciono na mesma rede que eles, e como poderia questioná-los, o que ouvi foi: “vem ensinar agente da aula”, “você se acha”, “seu filho não se interessa por nada, ele é descompromissado”, “ele não quer nada com nada”.
Engraçado, foi um acontecimento que marcou minha carreira como formadora e facilitadora do ensino-aprendizagem. Comecei a observar e avaliar o ensino como um olhar holístico e universal.
Aconteceram muitas mudanças históricas no ensino, todas visando melhorar a qualidade de ensino, principalmente em nosso país, mas nenhuma para mudar a mentalidade dos profissionais em educação.
Wilkinson (1998, p. 25), em sua obra As 7 Leis do Aprendizado, deixa claro que “é óbvio que os alunos precisam se responsabilizar por aprender a matéria – mas o professor é responsável por induzi-lo a sabê-la”.
Claro que sei, quais são minhas responsabilidade como mãe. Jamais deixei de exercer essa função. Por isso, me preocupo com a formação educacional dos meus filhos.
A relação entre a família x comunidade escolar é fundamental para a formação educacional de cada individuo. Já que essa relação estabelece um elo de responsabilidades.
Seguindo essa linha de pensamento sobre a responsabilidade, para Wilkinon (1998, p. 26-27), reflete sobre a colocação da ex-ministra da educação dos Estados Unidos, Shirley M. Hufstedler, que afirmava:
“O segredo do nosso sucesso como professor é... aceitar a responsabilidade pelo sucesso ou fracasso de cada aluno, e isso de forma bem pessoal. Os professores que assumem a responsabilidade pelo sucesso ou fracasso de cada um de seus alunos... tem alunos com maio índice de aproveitamento”[1].
Dessa forma, nota-se que essa responsabilidade reflete na questão se torna polêmica pelo fato de que numa sociedade grafocêntrica como a nossa, saber ler e escrever fluentemente se torna uma questão de cidadania. Para piorar a situação, a qualidade da educação brasileira é altamente questionada quando se tem em vista os índices de fracasso escolar nas séries do Ensino Fundamental. Os índices de repetência e a baixa qualidade do ensino da leitura e da escrita colocam em maior evidência os debates acerca da alfabetização e letramento.
Sobre esse prisma, para Wilkinson (1998, p. 30):
“bons professores cultivam uma grande habilidade para compreender o processo de ensino-aprendizagem, de modo que imediatamente detectam o problema que está atrapalhando a aprendizagem, e aí implementam a solução correspondente”.


Cury (2003, p. 79), acrescenta ainda que “os mestres fascinantes podem ser desprezados e ameaçados, mas sua força é imbatível”. Diante dessa, reflexão é importante fazer a diferença.
Cury (2007, p. 49), acrescenta que “você pode adiar muitas coisas na sua vida, mas não a decisão de ser autor de sua própria história. É sua responsabilidade escrever seus textos”.
Cury (2003, p. 80), coloca em outra obra que deve-se ensinar os alunos “a conquistar experiências originais, através da observação de pequenas mudanças e da correção de grandes rotas”.
Então, nota-se que a educação hoje, deve estar voltada para a educação da emoção de forma motivacional e com ênfase aos valores, se não, segundo Cury (2003, p.81), “as sociedades modernas se tornarão um grande hospital psiquiátrico”.
A educação envolve todo um processo de ensinar e aprender. A criança desde do seu nascimento está formando seus saberes, é com os pais que ela aprende seus primeiros passos.
Para Poli (2006, p. 16), “pais capacitados a educar os filhos sabem dar responsabilidades a eles, sabem até onde podem exigir deles..., e tem autoridade para impor a disciplina necessária”.
Faço dessas palavras as minhas para os profissionais da educação. Quantas vezes ouvimos, eu não estou aqui para educar os filhos de você! Eu mesma. Meu Deus, quantas vezes falei isso. Claro, que devemos educá-los, afinal, somos os chamados educadores. Facilitar a construção do conhecimento é uma forma de educar sim.
Cury (2007, p. 48), “os educadores são os profissionais mais importantes da sociedade, apesar de não os valorizar”.
A desvalorização é fato, mas não podemos deixar que isso nos abale. Afinal, somos o alicerce da sociedade. Cury coloca ainda (2007, p. 48), que “milhões de pessoas nunca aprenderam que podem e devem gerenciar seus pensamentos e emoções”. Qualidade de vida é a solução.
Como posso ter qualidade de vida com o salário que ganho? Sei que vocês devem estar se perguntando isso agora.
Bem, acredito que, antes de tudo deve-se gostar do que faz. Se não será um desastre social e profissional. Sem amor não se edifica uma relação, isso é fato, afetividade é fundamental para o ensino-aprendizagem.
Encontrar um equilíbrio diante do caos educacional parece uma missão impossível. Para Cury (2003, p. 86), “ a beleza está nos olhos de quem vê”. Viu... Nada é impossível diante do seu ponto de vista.
Cury acrescenta (2003, p. 97), “por trás de cada aluno arredio, de cada jovem agressivo, há uma criança que precisa de afeto”.
Assim, a mudança é uma palavra que muitas vezes assusta, todo mundo tem medo do novo. Mas, ele precisa ser construído. Cury (2003, p. 101), coloca sabiamente que “não importa o tamanho dos nossos obstáculos, mas o tamanho da motivação que temos para superá-los”.
Depois de cada dia de trabalho ou como mãe, faço uma reflexão, um feedback. O que eu fiz de novo hoje? Que história construí hoje? Que imagem refleti hoje em minha casa e na sala de aula? Foi positiva ou negativa? O que posso mudar para amanhã? Esse é o primeiro passo para reflexão, uma autoavaliação e automoticação.
Cury (2003, p. 102) coloca que “Sem sonhos não há fôlego emocional. Sem esperança não há coragem para viver”. Sonhar é necessário, acreditar no sonho é essencial.
Claro que nota-se que a defasagem da qualidade do ensino não está no ensino de oito anos ou de nove e sim nas condições de trabalho digna, na má remuneração dos profissionais, no faz de conta que se ensina e que se aprende, onde os profissionais são favorecidos por favores políticos e não estão realmente preocupados com a educação, na falta de fiscalização nas instituições de ensino, na falta de material de uso contínuo nas escolas, e principalmente na ausência de um apoio psicológico para os profissionais em educação que sofrem com doenças causadas pelas frustrações sentem na pele no dia a dia em sala de aula, a impotência diante do caos.
Mas, se todos os profissionais da educação estiverem falando a mesma língua, fazendo a diferença, essas questões serão superadas com facilidade e reformulando uma nova perspectiva educacional para o nosso país e para o mundo.
Nessa perspectiva, Cury (2003, p. 127) coloca que “o melhor professor não é o mais eloqüente, mas o que mais instiga e estimula a inteligência”.
Acrescenta ainda, Cury (2003, p. 128) que:
“os professores devem superar o vício de transmitir o conhecimento pronto, como se fosse verdades absolutas. Até porque, a cada dez anos, muitas verdades da ciências se torna folclore e perdem seu valor”.

Daí a necessidade de uma educação voltada à educação emocional, para evitar a formação de cidadãos vítimas do sistema social que valoriza o ter e não o ser, como coloca Cury (2003, p. 65).
Para os autores Ceccon, Oliveira, Oliveira (2002, p. 11), coloca em sua obra, A vida na Escola e a Escola da Vida, que “todo mundo vive se queixando da escola. Pais, professores e alunos reclamam que ela não está funcionando como devia e que as coisas não podem continuar desse jeito”.
Ceccon, Oliveira, Oliveira (2002, p. 14), acrescentam que “os professores por sua vez se sentem sobrecarregados e desvalorizados em seu trabalho”.
Ceccon, Oliveira, Oliveira (2002, p. 15), reflete ainda que “cercados por dificuldades de todos os lados, os professores se sentem cansados e desanimados, e se dão conta que são mal preparados para o trabalho que têm que fazer”.
Quando li a obra desses autores o que mais me chocou foram as suas colocações, duras e sem fugir da realidade nua e crua, como diz o ditado popular.
É isso mesmo o que está acontecendo. E esses profissionais acabam com sérios problemas de saúde, ou até mesmo se tornando um caos social.
Pena que os políticos não entendam que necessário uma mudança sim, mas não na estrutura do ensino de nove ou oito anos, mas nas políticas educacionais, nas secretarias de educação, nas gestões escolares, nos profissionais da educação, nas famílias e principalmente na atenção as necessidades das crianças que suplicam por ajuda, as quais sofrem com os problemas da sociedade e os reflexos dos adultos, e a tempestades de informações soltas e vagas que recebem o tempo todo.
A desinformação é o principal fator da desmotivação dos profissionais na alfabetização. Muda-se a estrutura do ensino sem antes consultar os alicerces do mesmo. Afinal quem está na sala de aula? Quem conhece a realidade do aluno? Quem que aplica estratégias de ensino? Com quem que os alunos ensinam e aprendem o conhecimento?
Claro, que se o professor desenvolve sua prática tendo por referência teórica a idéia de que o conhecimento é construído pelo aluno em situações de interação, ele precisa dispor de estratégias que ajudem a compreender o que cada um de seus alunos já sabe para poder ajustar as propostas, lançar problemas adequados às suas necessidades de aprendizagem em cada momento da escolaridade.
Então, a defasagem da qualidade do ensino não está no ensino de oito anos ou de nove e sim nas condições de trabalho digna, na má remuneração dos profissionais, no faz de conta que ensina e que se aprende onde os profissionais são favorecidos por favores políticos e não estão realmente preocupados com a educação, na falta de fiscalização nas instituições de ensino, na falta de material de uso contínuo nas escolas, e principalmente na ausência de um apoio psicológico para os profissionais em educação que sofrem com doenças causadas pelas frustrações sentem na pele no dia a dia em sala de aula, a impotência diante do caos.
Portanto, o que será mesmo que é necessário mudar? As formas de ensinar e aprender? As estratégias de ensino? O sistema? As políticas educacionais? As escolas? Eu diria que tudo... Tudo mesmo. Começando na base, a família e partindo para as outras esferas sociais.
É de fato que é grande a insatisfação dos pais, alunos, professores diante da educação assistida em nossas escolas. Afirma-se que todo mundo tem uma queixa a fazer da escola, apesar da Lei afirma que a escola é um direito de todos. O que se pode constatar é que a escola precisa ser humanizada voltada para as necessidades verdadeiramente relevantes nos dias atuais.
No atual cenário da educação verifica-se que a escola não é para todos, que os alunos com déficit de aprendizagem são excluídos e a culpa não é de ninguém. A lei fala uma coisa, mais na prática acontece outra. Os pobres são marginalizados e menos oportunizados nas escolas, pois apresentam uma bagagem histórica muito pesada e os profissionais em educação não sabem como trabalhar com isso, já que os próprios estão sofrendo a doença do milênio, a “depressão”.
Uma reflexão voltada para a família e a necessidade de conhecer os problemas das crianças, que cada faz mais cedo apreende serem independentes (independência essa que causa sérios problemas). Problemas esses que estão afetando toda a sociedade, a falta de afetividade familiar e humana pode ser o caos do mundo. Por isso, que defendo uma avaliação mais humanizada, professores bem preparados, condições iguais para todos, onde existe Educação em Direitos Humanos.
O que chama a atenção, nos dias atuais, é a desmotivação dos profissionais da educação. Eles não pensam mais como seres humanos e não se preocupam uns com os outros, com o meio. São alheios aos acontecimentos e dizem que esse problema não é meu. Já fiz muito isso. A desmotivação é uma doença que causa o descompromisso. Para você ver ninguém é imune até que queira ser.
Hoje, os profissionais em educação medem seu potencial com o número de alunos que reprovou em sua disciplina. Daí a necessidade de tornar a avaliação humanizada e dinâmica. Seguindo essa linha de pensamento sobre a responsabilidade, para Wilkinon (1998, p. 26-27), reflete sobre a colocação da ex-ministra da educação dos Estados Unidos, Shirley M. Hufstedler, que afirmava:
“O segredo do nosso sucesso como professor é... aceitar a responsabilidade pelo sucesso ou fracasso de cada aluno, e isso de forma bem pessoal. Os professores que assumem a responsabilidade pelo sucesso ou fracasso de cada um de seus alunos... tem alunos com maior índice de aproveitamento”[2].

Dessa forma, nota-se que essa responsabilidade reflete na questão se torna polêmica pelo fato de que numa sociedade grafocêntrica como a nossa, saber ler e escrever fluentemente se torna uma questão de cidadania. Para piorar a situação, a qualidade da educação brasileira é altamente questionada quando se tem em vista os índices de fracasso escolar nas séries do Ensino Fundamental. Os índices de repetência e a baixa qualidade do ensino da leitura e da escrita colocam em maior evidência os debates acerca da alfabetização e letramento.
Outro autor que reflete sobre essa responsabilidade é Cury (2003, p. 79), coloca que “um bom professor educa seus alunos para uma profissão, um professor fascinante os educa para a vida. Professores fascinante são profissionais revolucionários”[3].
Cury (2003, p. 79), acrescenta ainda que “os mestres fascinantes podem ser desprezados e ameaçados, mas sua força é imbatível”[4]. Diante dessa, reflexão é importante fazer a diferença.
Cury (2007, p. 49), acrescenta que “você pode adiar muitas coisas na sua vida, mas não a decisão de ser autor de sua própria história. É sua responsabilidade escrever seus textos”[5].
Cury (2003, p. 80), coloca em outra obra que deve-se ensinar os alunos “a conquistar experiências originais, através da observação de pequenas mudanças e da correção de grandes rotas”[6].
Então, nota-se que a educação hoje, deve estar voltada para a educação da emoção de forma motivacional e com ênfase aos valores, se não, segundo Cury (2003, p.81), “as sociedades modernas se tornarão um grande hospital psiquiátrico”.
A educação envolve todo um processo de ensinar e aprender. A criança desde, de seu nascimento está formando seus saberes, é com os pais que ela aprende seus primeiros passos.
Para Poli (2006, p. 16), “pais capacitados a educar os filhos sabem dar responsabilidades a eles, sabem até onde podem exigir deles..., e tem autoridade para impor a disciplina necessária”.
Daí, a necessidade de construir uma escola para todos, onde o conhecimento é parte concreta da aprendizagem, onde o aluno pobre ou rico tem as mesmas oportunidades, já que tanto faz sua classe ou padrão social cada um é um baú de sabedoria e capaz de transforma este mundo em um mundo bem melhor, pois os alunos de hoje, serão os pais de amanhã.
A educação é considera como uma engrenagem principal, onde promove a solução para os problemas de baixo para cima, já que a tentativa de resolver de cima para baixo não funciona. Esperar para quê! Vamos fazer... Fazer a diferença! Aceitar nossa responsabilidade é o primeiro passo. Avaliar o quê, se nem sabemos o que se deve ensinar e aprender?
Tudo bem, enquanto nossos superiores se localizam na realidade, que nós profissionais da educação, que estamos em sala de aula, já conhecemos, vamos fazendo o intercâmbio da realidade e a utopia desejada por educadores natos de sangue tipo A.P.E.H. (Apaixonados por uma educação humanizada).
Nessa perspectiva, Cury (2003, p. 127) coloca que “o melhor professor não é o mais eloqüente, mas o que mais instiga e estimula a inteligência”[7].
Portanto, é importante e necessário o reconhecimento da responsabilidade social de cada um, e, de sua capacidade de construir e reconstruir sua própria história, assim, poder-se-á falar em uma escola voltada para o real, onde se constrói o conhecimento a partir de suas vivências, a partir do diagnóstico da realidade e de sua necessidade. Trabalhar em prol de suas necessidades, necessidades essas que podem não estarem relacionadas no conteúdo programático, já que os próprios conhecimentos científicos são reconstruídos, substituídos por nova visão, ou seja, novas teorias.




[1] U.S. News E World Report, 8 de setembro de 1980, p.48.
[2] U.S. News E World Report, 8 de setembro de 1980, p.48.
[3] CURY, A. J. Pais Brilhantes, professores fascinantes. Rio de Janeiro: Sextante, 2003.
[4] CURY, A. J. Pais Brilhantes, professores fascinantes. Rio de Janeiro: Sextante, 2003
[5] CURY, A.J. 12 semanas para mudar sua vida. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2007.
[6] CURY, A. J. Pais Brilhantes, professores fascinantes. Rio de Janeiro: Sextante, 2003

[7] CURY, A. J. Pais Brilhantes, professores fascinantes. Rio de Janeiro: Sextante, 2003

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A ARTE NA ESCOLA

O trabalho de Arte na escola encontra, atualmente, a sua referência nas diretrizes dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), cujos objetivos buscam objetivam levar as artes visuais, a dança, a música e o teatro para serem aprendidos na escola. Anteriormente, tais as atividades artísticas funcionavam apenas como procedimentos de recreação, equilíbrio psíquico, expressão criativa ou simplesmente treino de habilidades motoras. Mas a atual proposta pedagógica encabeçada pelos PCN denota a preocupação de apresentar a Arte como área de conhecimento que requer espaço e constância, como todas as áreas do currículo escolar.
Nessa proposta está imbuído o reconhecimento de que o aprendizado de Arte deve ser significativo para o aluno, de modo que ele possa estabelecer relações entre seus trabalhos artísticos individuais, em grupos e a produção social de arte. Isso significa que na escola é fundamental que o aluno tenha condições de apreciar e interpretar as produções artísticas produzidas culturalmente na sociedade em que ele vive.
O conhecimento da arte abre perspectivas para que o aluno tenha uma compreensão do mundo na qual a dimensão poética esteja presente: a arte ensina que é possível transformar continuamente a existência, que é preciso mudar referências a cada momento, ser flexível. Isso quer dizer que criar e conhecer são indissociáveis e a flexibilidade é condição fundamental para aprender (MEC/SEF, 1998 p. 6).

Nas orientações dos PCN fica evidente a idéia de que educar arte significa fazer arte, fruir arte e contextualizá-la. Nesse sentido, cabe à escola a incumbência de proporcionar condições para os alunos apreciarem produções artísticas de diferentes épocas e artistas, relacionando-as com suas próprias produções bem como expressando opiniões que tornem possível compreender a realidade que o cerca.
Em muitas escolas ainda se utiliza, por exemplo, o desenho mimeografado com formas estereotipadas para as crianças colorirem ou se apresentam “musiquinhas” indicando ações para a rotina escolar (hora do lanche, hora da saída). Em outras, trabalha-se apenas com a auto-expressão; ou, ainda os professores estão ávidos por ensinar história da arte e levar os alunos a museus, teatros e apresentações musicais ou de dança. Há outras tantas possibilidades em que o professor polivalente inventa maneiras originais de trabalhar, munido apenas de sua própria iniciativa e pesquisa autodidata (MEC/SEF, 1998 p. 16).

De fato, o ensino de Arte na escola ainda se confronta com alguns impasses legadas do modelo tradicional de ensino. Muitos são os professores que ainda insistem em fazer do ensino da Arte uma atividade de “recreação” sem significado cognitivo, cujo valor está em apenas divertir a aula, fazendo com o que o aluno pinte ou desenhe modelos pré-definidos, como acontece no caso das atividades mimeografadas. Outros acreditam que o ensino da Arte serve para estimular a criatividade, deixando os alunos livres, sem orientação pedagógica precisa para a criação de produções artísticas significativas.
É preciso, contudo, reverter esse quadro no sentido de implantar no cotidiano escolar uma nova concepção do ensino de Arte, definindo-o como uma possibilidade de aprimorar o desenvolvimento das potencialidades do educando. Isso significa fazer do ensino da Arte uma prática sócio-educativa propícia para o desenvolvimento das habilidades de apreciar as produções artísticas de cunho sócio-cultural e histórico bem como para estimular a criação das próprias atividades artísticas, fazendo com que estas tenham sentido educativo para o aluno.
Assim sendo, é importante que as aulas de Artes possibilitem o trabalho com diferentes linguagens artísticas, buscando criar condições para que os alunos sejam capazes de:
· expressar e saber comunicar-se em artes mantendo uma atitude de busca pessoal e/ou coletiva, articulando a percepção, a imaginação, a emoção, a sensibilidade e a reflexão ao realizar e fruir produções artísticas;
· interagir com materiais, instrumentos e procedimentos variados em artes (Artes Visuais, Dança, Música, Teatro), experimentando-os e conhecendo-os de modo a utilizá-los nos trabalhos pessoais;
· edificar uma relação de autoconfiança com a produção artística pessoal e conhecimento estético, respeitando a própria produção e a dos colegas, no percurso de criação que abriga uma multiplicidade de procedimentos e soluções (MEC/SEF, 1998 p. 31).

É oportuno enfatizar que o ensino da Arte, na perspectiva proposta dos PCN, necessita se pautar no planejamento conciso de atividades que abranjam diferentes linguagens artísticas, tomando como referência às necessidades e aspirações dos alunos. Muito mais que fazer do ensino da Arte uma distração, é preciso enfocar o aspecto cognitivo propício à fruição das potencialidades do educando.
É clarividente que a aprendizagem depende em grande parte da motivação: as necessidades e os interesses da criança são mais importantes que qualquer outra razão para que ela se ligue a uma atividade. Ser esperta, independente, curiosa, ter iniciativa e confiança na sua capacidade de construir uma idéia própria sobre as coisas, assim como exprimir seu pensamento como convicção são características que fazem parte da personalidade integral da criança. Por conseqüência, o ensino de Arte precisa:
[...] acolher a diversidade do repertório cultural que a criança traz para a escola, a trabalhar com os produtos da comunidade na qual a escola está inserida e também que se introduza informações da produção social a partir de critérios de seleção adequados à participação do estudante na sociedade como cidadão informado (MEC/SEF, 1998 p. 30).

A valorização do ensino da Arte no âmbito escolar, promove na criança esse processo de aprendizagem que faz com que através de brincadeiras a criança desenvolva o entrosamento com a turma, oferecendo-lhe subsídios para vencer dificuldades que apresentam, reforçando a auto-estima, respeitando a individualidade e as limitações
É fundamental tomar consciência de que a atividade artística fornece informações elementares a respeito da criança: suas emoções, a forma como interagem com seus colegas, seu desempenho físico-motor, seu estágio de desenvolvimento, seu nível lingüístico, sua formação moral. A aprendizagem da criança só terá bom desempenho, entretanto, se estiver acompanhada de uma proposta educativa coerente.
Tomando como referência às diretrizes propostas pelos PCNs verifica-se uma tendência para organizar o processo de ensino-aprendizagem de Arte a partir da inter-relação entre as diversas linguagens artísticas. Assim, preocupa-se em enfocar atividades de teatro, música, dança e artes visuais levando em conta uma variedade de temas e um respeito crescente pela diversidade cultural.
A respeito da distribuição das modalidades do ensino de Arte nos currículos, encontramos no PCN:
Um bom planejamento precisa garantir a cada modalidade artística no mínimo duas aulas semanais, em seqüência, a cada ano [...] Por exemplo, se Artes Visuais e Teatro forem eleitos respectivamente na primeira e segunda séries, as demais formas de arte poderão ser abordadas em alguns projetos interdisciplinares, em visitas a espetáculos, apresentações ou apreciação de reproduções e vídeos, pôsteres, etc. A mesma escola trabalhará com Dança e Música nas terceira e quarta séries, invertendo a opção pelos projetos interdisciplinares (MEC/SEF, 1998 p. 108).

Em contrapartida, é útil considerar que o trabalho com as linguagens artísticas deve ser priorizado em todas as modalidades da educação básica, inclusive no atendimento de alunos portadores de necessidades especiais. A opção por trabalhar com artes visuais, música, dança ou teatro depende muito do critério da organização do processo de ensino-aprendizagem pelo professor. Por conseqüência, é imprescindível que este tenha conhecimento de todas as linguagens artísticas a fim de saber integrá-las em comum acordo com as necessidades dos alunos.
No trabalho com Artes Visuais, é relevante que o professor reconheça que esta linguagem artística compreende:
[...] além das formas tradicionais (pintura, escultura, desenho, gravura, arquitetura, artefato, desenho industrial), incluem outras modalidades que resultam dos avanços tecnológicos e transformações estéticas a partir da modernidade (fotografia, artes gráficas, cinema, televisão, vídeo, computação, performance). Cada uma dessas visualidades é utilizada de modo particular e em várias possibilidades de combinações entre imagens, por intermédio das quais os alunos podem expressar-se e comunicar-se entre si de diferentes maneiras (MEC/SEF, 1998 p. 35).

O trabalho com a categoria Arte Visual pressupõe o domínio do conhecimento e leitura os elementos visuais, dentre os quais, ressalta-se a forma, a cor, o espaço bidimensional e tridimensional, o equilíbrio, o plano, as relações entre luz e sombra, a superfície, dentre outros elementos que compõem as manifestações visuais. Entretanto, convém destacar que mesmo que o educador não tenha conhecimentos específicos de Arte, compete-lhe o reconhecimento de que qualquer pessoa possui potencialidades criativas para pintar, desenhar ou criar uma escultura.
O principal aspecto que orienta o trabalho com Artes Visuais encontra-se na capacidade do professor saber selecionar atividades estimulantes que mobilizem os alunos na criação e apreciação de produções artísticas diversas, desenvolvendo a sensibilidade estética-visual.
A linguagem Dança é muito presente no cotidiano das pessoas, ela possibilita a expressão através do corpo, sendo fácil de ser trabalhada, mas que também merece cuidados no planejamento do professor.
A atividade de dança na escola pode desenvolver na criança a compreensão de sua capacidade de movimento, através de um maior entendimento de como seu corpo funciona. Assim, poderá usá-lo expressivamente com maior inteligência, autonomia, responsabilidade, e sensibilidade (MEC/SEF, 1998 p. 39).

A dança é uma forma de comunicação que expressa compreensões individuais e sociais do mundo. Nessa linha de pensamento, é essencial que o professor desenvolva atividades diversificadas que estimulando a descoberta do próprio corpo como forma de expressão. Na escola é útil trabalhar com atividade de dança no sentido de que estas possibilitam ao educando perceber o ritmo musical bem como compreender noções de espaço temporal e coreografias e dramatizações criativas.
Nesse sentido, a Dança articula as outras duas linguagens artísticas – a música e ao teatro. A Música é outra linguagem extremamente marcante na vida do educando, constituindo-se em uma importante ferramenta de aprendizagem não só para a formação da percepção estética, mas também para o desenvolvimento das competências discursivas.
Para que a aprendizagem da música possa ser fundamental na formação de cidadãos é necessário que todos tenham a oportunidade de participar ativamente como ouvintes, intérpretes, compositores e improvisadores, dentro e fora da sala de aula. Envolvendo pessoas de fora no enriquecimento do ensino e promovendo interação com os grupos musicais e artísticos das localidades, a escola pode contribuir para que os alunos se tornem ouvintes sensíveis, amadores talentosos ou músicos profissionais. Incentivando a participação em shows, festivais, concertos, eventos da cultura popular e outras manifestações musicais, ela pode proporcionar condições para uma apreciação rica e ampla onde o aluno aprenda a valorizar os momentos importantes em que a música se inscreve no tempo e na história (MEC/SEF, 1998 p. 46).

Uma linguagem artística importante e que merece atenção especial do educador é o Teatro. Os jogos teatrais são muito ricos para o desenvolvimento do educando na medida em que possibilitam não só a expressão por meio da interação das outras linguagens artísticas, mas também aproxima o educando da sua realidade, permitindo-lhe criar através dos personagens a representação de papéis significativos a sua vida social.
O jogo teatral, neste sentido, surge como possibilidade íntegra de criação e recriação de expressões significativas de vida.
Dramatizar não é somente uma realização de necessidade individual na interação simbólica com a realidade, proporcionando condições para um crescimento pessoal, mas uma atividade coletiva em que a expressão individual é acolhida. Ao participar de atividades teatrais, o indivíduo tem a oportunidade de se desenvolver dentro de um determinado grupo social de maneira responsável, legitimando os seus direitos dentro desse contexto, estabelecendo relações entre o individual e o coletivo, aprendendo a ouvir, a acolher e a ordenar opiniões, respeitando as diferentes manifestações, com a finalidade de organizar a expressão de um grupo (MEC/SEF, 1998 p. 49).

Para promover um trabalho efetivo com as linguagens artísticas é importante que o professor use toda sua criatividade para explorar os vários objetivos do ensino de Arte, indicados nos PCNs, de maneira lúdica e divertida.
Para tanto, é importante que o professor reconheça que os portais de abertura da criatividade são infinitos e que o ser humano é rico em potencialidades criadoras, sendo que o estímulo para a criação depende do planejamento de atividades contextualizadas. Cabe ao educador ficar atento a todas as reações dos educandos em processo de trabalho criativo, pois essas reações servem como guias valiosos para os próximos passos do processo de estimulação no ensino da Arte. Com o despertar da criatividade, novas linhas de raciocínio são criadas, novas respostas, novas buscas e, portanto é preciso que o aluno tenha condições de criar e recriar na medida em que se inter-relaciona com os colegas e com o próprio educador no processo de ensino-aprendizagem de Arte.
É importante que o professor se exercite constantemente na tarefa de refletir sobre o seu papel como educador para não cair na tentação de afirmar que um aluno é incapaz de aprender ou que não gosta de Arte. Portanto, o educador de Arte não é somente aquele que enfeita as festas da escola, mas é o mediador na construção de conhecimentos, atuando como dinamizador de oportunidades estimuladoras ao desenvolvimento do potencial criador e estético do educando.

ARTE COM ARTE NA EDUCAÇÃO

"A necessidade de rever as formas com são promovidas as aulas de arte nas escolar deu o impulso para criação desse blog. Para discutir as formas e o fazer da arte em escolas públicas..."