26 de ago. de 2010

REFLETINDO...


A arte é um rio cujas águas profundas irrigam a humanidade
com um saber que não o estritamente intelectual, e que diz respeito
à interioridade de cada ser.
A vida humana se confunde, com suas origens, com as manifestações
artísticas: os primeiros registros que temos da vida
inteligente sobre a terra são, justamente, as manifestações
artísticas do homem primitivo. É esse imbrincamento que acaba
por definir a essência do
ser humano.

Evely Berg

CONSIDERAÇÕES SOBRE A ARTE NA EDUCAÇÃO MODERNA


 
Na perspectiva educacional, é de conhecimento de todos que um profissional compromissado com a tarefa de educar precisa desenvolver competências não só para dar conta da construção do conhecimento como também para refletir e intervir na realidade em que atua de forma crítica e autônoma. A perspectiva técnica e racional precisa ceder espaço para uma formação mais complexa, que priorize o estudo de situações práticas e o desenvolvimento de conhecimentos ou estratégias favoráveis à mudança da instituição educativa bem como do surgimento de um novo conceito de profissionalização do professor. Isso significa pensar a escola como uma organização mais autônoma e reconhecer o professor como um profissional competente para tomar decisões e intervir na prática educativa, especialmente no processo de emancipação de pessoas.

Processo vital de desenvolvimento e formação da personalidade, a educação não se confunde coma mera adaptação do indivíduo ao meio. É atividade criadora e abrange o homem em todos, os seus aspectos. Começa na família, continua na escola e se prolonga por toda a existência humana.
Educação é o processo pelo qual uma pessoa ou grupos de pessoas adquirem conhecimentos gerais, científicos, artísticos, técnicos ou especializados, com o objetivo de desenvolver sua capacidade ou aptidões. Além de conhecimentos, a pessoa adquire também, pela educação, certos hábitos e atitudes. Pode ser recebida em estabelecimentos de ensino especialmente organizados para esse fim, como as escolas elementares, colégios, conservatórios musicais, universidades, ou através da experiência cotidiana, por intermédio dos contatos pessoais, leitura de jornais, revistas, livros, apreciação de pinturas, esculturas, filmes, peças musicais e de teatro, viagens e conferências.
O objetivo primordial da educação é dotar o homem de instrumentos culturais capazes de impulsionar as transformações materiais e espirituais exigidas pela dinâmica da sociedade. A educação aumenta o poder do homem sobre a natureza e ao mesmo tempo, busca conforma-lo aos objetivos de progresso e equilíbrio social da coletividade a que pertence.
Para o brasileiro Paulo Freire o objetivo da educação deveria ser a liberação do oprimido, que lhe daria meios de transformar a realidade social em sua volta mediante a “conscientização” (conhecimento crítico do mundo). Seu trabalho, pode ser visto não apenas como um método de alfabetização, mas como um processo de conscientização, por levar em conta a natureza política da educação assim, como no Teatro do Oprimido de Boal.
Desde o início da história da humanidade, a arte tem se mostrado uma práxis presente em todas as manifestações culturais. A aprendizagem e o ensino da arte sempre existiram e se transformaram, ao longo da história, de acordo com as normas e valores estabelecidos, em diferentes ambientes culturais. Não faz parte das intenções deste documento ter a pretensão de discorrer sobre todas as transformações ocorridas. Entretanto, aconselha-se ao leitor um aprofundamento em relação à história do ensino de arte.
É momento de se ultrapassar as dicotomias instaladas e se priorizar figura do professor, do aluno e institucionalizar a elaboração curricular e a fecundação da aula como instrumentos de pesquisas, estímulos à construção do conhecimento científico. Não deve o professor servir apenas para mostrar teorias por ele mecanizadas ao longo de sua formação universitária e não deve o aluno se calar e ser passional na instrução mercenária. Tanto um como outro devem ter consistência aberta e flexiva para a produção científica, para mudança e possíveis interferências na construção de um conhecimento que, sobretudo, expresse a (re)elaboração da ciência.

VESTÍGIOS DE TEATRO EM FORMOSA/GO


VIA-SACRA: Teatro Religioso

Vanderli Cassia Spredemann[1]

RESUMO
O presente artigo tem por finalidade realizar uma pesquisa sobre os vestígios de grupos teatrais em Formosa/GO. Tem por objeto de estudo escolhido a Via-Sacra da Paróquia São Sebastião. Revela em seu contexto os fundamentos religiosos bíblica em virtude da formação social da identidade cultural cidadãos Formosenses.
Palavras-Chaves: Teatro, religião, fundamentos, pesquisa, Via-sacra.

Contextualizando o Local da Pesquisa
O objeto da pesquisa foi a Via-Sacra que da Paróquia de São Sebastião com participação das demais Paróquias em Formosa-GO, promovida nas Sexta-feiras Santa em Formosa-GO, hoje ela não é mais representada no morro e isso quebrou um pouco da tradição religiosa que havia, era uma motivação para a peregrinação e fortalecimento da fé, pretende-se resgatar fatos e experiências interessantes desse grupo de atores em sua maioria hoje educadores, advogados, profissionais liberais, mas sobretudo, catequistas que levavam a simples manifestação da fé cristã-católica para a comunidade.
Foi utilizada a pesquisa exploratória com base nos princípios bibliográficos buscando na literatura informações sobre o manifesto cultural e artístico da Via-Sacra. A pesquisa fundamenta-se por meio de  entrevistas e anotações dos relatos dos integrantes e responsáveis pelo desenvolvimento da Via-Sacra para coleta de informações importantes sobre o objeto do estudo.
Formosa está localizada no Planalto Central Brasileiro, na Região Centro-Oeste, no Estado de Goiás. É o maior município da micro-região do Planalto Goiano, também pertencendo ao entorno de Brasília e passando a integrar, há pouco tempo, à recém criada região Metropolitana do Distrito Federal. O município de Formosa está situado a uma altitude de 918 metros, tem como coordenadas geográficas 19º 32’ 08” de latitude Sul e 47º 20’ 08” de longitude de W. Greenwich. Precisamente, fica distante aproximada de 90 km de Brasília, ocupando uma área de 5.827,7 km2.
Pode-se afirma que os primeiros registros históricos de Formosa remontam da terceira década do século XVIII, quando Goiás ainda pertencia à capitania de São Paulo, conforme inscrições encontradas nas grutas da Fazenda Araras, que falam da chegada dos primeiros colonizadores.
Assim, nas proximidades da Lagoa Feia, os boiadeiros e garimpeiros que faziam o trajeto entre a Bahia e Minas Gerais, rumo às usinas dos Guaiazes, escolheram o local de suas paradas para o descanso e ali levantaram as primeiras choupanas, cobertas e cercadas de couro de boi, dando origem ao primeiro nome da localidade: Arraial Dos Couros. Nessa época, para evitar prejuízos na extração do ouro e no comércio de bovinos, foram instalados dois registros para as cobranças de tributos, um na parte setentrional da Lagoa Feia e outro a 90 km do Arraial, local conhecido como Arrependidos. Assim, ficou estabelecida a comunicação do sertão com os canais da Bahia e Minas Gerais, registrando-se ainda a passagem pela região dos bandeirantes Urbano do Coeto e Antônio Bueno de Azevedo.
A salubridade do clima e a oportunidade de bons negócios atraíram garimpeiros e fazendeiros de outras regiões, que passaram a se dedicar à formação de fazendas e ao comércio de couros.
Em 1823, o arraial foi elevado a Julgado e já se firmava como centro comercial. Em 1838 foi elevado à categoria de Freguesia, e posteriormente, em 1843, diante das suas belezas naturais e buscando homenagear a Imperatriz D. Tereza Cristina, foi elevado à categoria de Vila, recebendo o nome de Vila Formosa da Imperatriz. Em 1877 passou à categoria de cidade, com o nome de Formosa da Imperatriz e, finalmente, consolidou-se com o nome de FORMOSA. O dia 1º de agosto de 1843 ficou sendo a data oficial do município.

Vestígios de Teatro em Formosa/GO
A Paróquia São Sebastião é uma das Igrejas que tem por fundamentos reliogosos o Católicismo, e é uma das mais antigas da cidade. Os princípios da Comunidade Formosense considera que a experiência humana e todas as suas manifestações se constituem em fator cultural, mas, por coerência e respeito às finalidades que são meios classificatórios do turismo, a expressão turismo cultural possui conotação restritiva e abrangente exclusivamente as atividades que se efetuam através de deslocamentos para a satisfação de objetivos de encontro com emoções artísticas, científicas, de formação e de informação nos diversos ramos existentes, em decorrência das próprias riquezas da inteligência e da criatividade humanas.
Assim, o homem é um ser compelido a aprender sempre mais a respeito de um número sempre maior de idéias e fatos, tanto por sua necessidade inata de evoluir como pelas inúmeras exigências de respostas sociais às expectativas do grupo social a que pertence.
Nesse sentido, a Via-Sacra da Paróquia São Sebastião tem por finalidade trabalhar a fé e retratar os ensinamentos religiosos por meio da apresentação teatral da passagem bíblica que retrata a Paixão de Cristo.
De acordo com as informações coletadas, a Via-Sacra começava com uma caminhada penitencial que tinha como ponto de partida a Paróquia São José localizada na Praça do Pau Ferro em Formosa, e  ia até a chácara São Pedro, localiza na região do Município em uma localidade rural, mais afastada dos bairros.
A caminhada era conduzida pelo Pe. Jarbas Gomes Dourado que promovia os atos que descrevia a Paixão de Cristo. Na Chácara São Pedro o grupo JA ( Juventude e Amor) com participação de outros grupos e atores amadores de outras Paróquias preparavam o cenário, a cenografia, maquiagem e incorporavam suas personagens para chegada do público que percorria o caminho em peregrinação.
Os fundamentos religiosos da apresentação teatral transfigura passagens bíblicas como forma de cultivar a fé e desenvolver a manifestação da fé cristã-católica para a comunidade.
O teatro é uma arte em que um ator ou conjunto de atores, interpreta uma história ou atividades para o público em um determinado lugar. Com o auxílio de dramaturgos ou de situações improvisadas, de diretores e técnicos, o espetáculo tem como objetivo apresentar uma situação e despertar sentimentos no público. Segundo a Enciclopédia Britannica, a palavra teatro deriva do grego theaomai (θεάομαι) - olhar com atenção, perceber, contemplar (1990, vol. 28:515). Theaomai não significa ver no sentido comum, mas sim ter uma experiência intensa, envolvente, meditativa, inquiridora, a fim de descobrir o significado mais profundo[2].

De certa forma, a Via-Sacra tinha por finalidade educar por meio de fundamentos religiosos os fieis pela passagem da Paixão de Cristo transfiguradas em sentimentos e emoção dos fatos discritos na Bíblia.
Para SILVA (2005, p.93) :
O teatro deve se preocupar com os desejos mais estranhos e reprimidos do homem, suas necessidades essenciais, seus mitos, sua inegável angústia, sua realidade e desejos mais secretos, tudo que normalmente é ocultado pela crosta social e pelo pensamento discursivo. A função da arte teatral não é só ensinar a existência, mas dar testemunho dela por meio de sua estrutura ou lógica interna. Ela é uma forma de conhecimento envolve as emoções.

De acordo com SILVA (2005, p. 93):
o homem é um ser compelido a aprender sempre mais a respeito de um número sempre maior de idéias e fatos, tanto por sua necessidade inata de evoluir como pelas inúmeras exigências de respostas sociais às expectativas do grupo social a que pertence.

Dessa forma, verifica-se que  as apresentações teatrais realizadas pelo grupo da Paróquia São Sebastião tornou-se foco de atração religiosa e turística por alguns anos, hoje não mais sendo realizada no local que se deu início e com menos foco do que antes e em condições similares realiza-se na própria igreja.
No último ano da apresentação o grupo JA juntamente com o grupo religioso Rosa de Saron prepararam um espetáculo com uso de som e efeitos especiais, ficando mais atrativo e interessante. Foi realizado no final da tarde o que permitiu o uso de iluminação também.
O chama a atenção no espetáculo é o figurino de época e o cenário natural. Tratando-se de um enredo bíblico, os atores, apesar de serem armadores, transpõem-se na linha do tempo e realmente transmitem de forma incrível a passagem da Paixão de Cristo.
Portanto, a pesquisa realizada permite refletir sobre os vestígios da arte teatral no Município de Formosa/GO, apesar de serem promovidos por atores armadores, apresentam características fortes do teatro brasileiro, em sua criatividade e cores.
O presente artigo teve por finalidade discorrer sobre a história cultural dos vestígios teatrais no Município de Formosa/GO, promovido através da Via-Sacra da Paróquia São Sebastião e o Espetáculo Paixão de Cristo.
Considerando-se que o município de Formosa apresenta uma cultura muito rica, que manifesta hábitos e atitudes passados ao longo de gerações, torna-se de fundamental importância que as políticas públicas de desenvolvimento econômico privilegiem a promoção e aperfeiçoamento de eventos culturais como atrativos turísticos, beneficiando o crescimento sustentável da sociedade local. Espera-se, portanto, que o teatro seja desenvolvido como alternativa cultural e econômica para a melhoria da qualidade de vida da população formosense, promovendo ao mesmo tempo a conservação do patrimônio cultural e artístico local.

REFERÊCIAS
SILVA, P.M. da. O espetáculo teatral e a educação: afinidades e conflitos. Dissertação de Pós-Graduação apresentada a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2005. Disponivel em: http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/5882/000521566.pdf?sequence=1acessado26/07/2010-14hr.



[1] Graduanda Licenciatura em Teatro pela UNB, Graduanda  Licenciatura em Pedagogia pela FACINTER. Educadora na rede Municipal de Formosa/GO de 2007.

2 de abr. de 2010

TRABALHANDO A DISCIPLINA

A maior dificuldade hoje em sala de aula é manter a disciplina dos alunos. O comportamento desejado deve ser cultivado e construindo coletivamente, aceitando os fatos e as mudanças sociais decorrentes. As crianças hoje passam mais tempo em escolas do que com a família, o que implica uma mudança na concepção de educação que temos. Muda ai o papel da escola, que antes era concebido pelo fato de ensinar a ler e escrever. Hoje o papel da escola é educar para a vida, construindo uma pedagogia voltada para as relações humanas e ir além do ensinar a ler e escrever, ensinar a usar a leitura e a escrita em função do desenvolvimento e promoção do papel social de cada individuo.
Dessa forma, a disciplina deve ser cultivada coletivamente e educando as crianças e adolescentes para o convivio social estabelecendo valores necessários para vida partindo do pressuposto da fundamentação dos Direitos Humanos individuais para a construção dos Direitos Humanos coletivos em perspectiva da igualdade em respeito a diversidade.
Assim, durante alguns anos de experiência em sala de aula, sempre me preocupei em promover situações que possibilitassem a construção dos valores necessários para o convívio social e a construção do processo de ensino e aprendizagem  na fundamentação do conhecimento coletivo e individual, e tornar esse conhecimento significativo e útil na vida de cada um.
Em suma, procurei formas de promover a disciplina em sala. Então, estou apostando muito em jogos teatrais e dramáticos.Como coloca  BOAL, "somos pré-humanos a humanidade só vai existir quando houver a solidariedade"... e reflete que "os exercicios, jogos teatrais e dramáticos,e técnicas especiais podem ajudar qualquer pessoa a conhecer seu interior e se tornar uma pessoa melhor em sua totalidade humana".
Seguindo essa linha de pensamento, comecei a desenvolver um trabalho que percorresse a edificação de valores necessários para vida. Primeiro todos os dias comecei estabelecer nossos combinados, vendo que eles não seguiram bem os combinados, comecei a trabalhar os jogos teatrais e dramáticos, primeiro estelece mos as regras do jogo e depois realizamos o jogo, os primeiros foi díficil conseguir a concentração e colaboração. Mas, depois aos poucos foram toamando gosto e a participação foi aumentando. Em sala, quando estou trabalhando uma explicação de um conteúdo, estabeleci um jogo da "BOLA", se a criança quiser falar deve esperar eu jogar a bola, ai quando estiver com a bola pode falar, e só fala que está com a bola, depois a criança passa a bola a um colega que queira falar e assim segue, que não obedece as regras do jogo fica uma rodada de fora.
Seguindo esse jogo, a participação nas aulas ficou mais organizada e divertida e aos poucos construimos o valor de que quando alguém fala os outros devem ouvir e esperar para se pronunciar. Usei a "BOLA" durante um tempo e depois nem precisei mais. Para promover a concentração comecei a trabalhar a dobradura em sala e a mímica, foi muito bom... para que eles descobrirem o que eu queria que fizessem, teriam que prestar muita atenção em meus gestos. Também comecei a usar a "Língua Brasileira de Sinais", a regra era não falar, e usar libras para se comunicar.
Também desenvolvo o projeto "BICHINHO DE ESTIMAÇÃO", em cada dia uma criança leva para a casa e cuida do bichinho até o dia seguinte. A criança precisa cuidar bem do bichinho para que seu colega tenha o direito de vivenciar a mesma experiência. Esse projeto cultiva a construção de direitos e deveres, responsabilidade e respeito aos seres vivos.
Uso os jogos teatrais e dramáticos para trabalhar a timidez e a auto-estima, valorizando o ser em suas potencialidades. Além do uso das diversas linguagem entre o imaginário e o real, construindo a habilidade da criatividade.
Isso porque acretido na construção do ser humano em sua totalidade!

Vanderli Càssia Spredemann

28 de mar. de 2010

A IMPORTÂNCIA DE NOSSA IDENTIDADE

Refletir sobre a importância da nossa identidade significa estabelecer um elo entre a construção/formação e reconhecimento de si em suas potencialidades e habilidades. Muitos de nós, nos escondemos com medo de ser e fazer diante dos outros, uma preocupação em saber o que outro pensa e acha de nossas ações. Acredito que o que outro pensa de mim é o que penso de mim mesma. Então, pergunto: quem é você... o que pensa...o que faz... no que você acredita é o que os outros vão acredita de você. É simples assim.
De ante mão, você precisa saber quem você é para você mesmo e depois ser socialmente falando, desenvolvendo seus papéis sociais de forma verdadeira.
As máscaras que costumamos usar para disfarçar nossa verdadeira face diante do pudor dos outros geralmente um dia cai...ai que o bicho pega, um dia todos veram quem você acredita ser.
Construir uma identidade significa construir elos verdadeiros e acreditar neles de forma justa e leal, traçar ideologias e uma filosofia de vida formulando seus valores e valores coletivos na igualdade e diversidade respeitando o ser humano em sua dimensionalidade e humanidade.
Portanto, estabeleça quem você é, quais são suas potencialidade e valores e depois ajude seu próximo a construir o seu eu interior fortificando seus valores e a identidade sociocultural de forma significativa e prazerosa de ser feita, vivendo, em nossos mais diversos papéis sociais.



25 de mar. de 2010

A VERDADE NUA E CRUA


Por: Vanderli Cássia Spredemann



Acessando o site da UnB/Cespe, e verificando o concursos abertos, fiquei anestesiada com o edital do concurso da ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica, que refere-se ao cargo de Técnico Administrativo a nível médio com as seguintes atribuições: exercício de atividades administrativas e logísticas de nível intermediário relativas ao exercício das competências constitucionais e legais do cargo da ANEEL, com remuneração inicial de R$ 4.548,47, jornada de 40 horas semanais.

Querem saber o que me deixou chocada e decepcionada é que o serviço de profissionais com ensino médio e para trabalhar com arquivamento de papéis, e outros procedimentos administrativos seja mais importante que o meu, como educadora.

Senti vergonha de ser educadora no Brasil, com um piso salarial de R$ 950,00 com a mesma carga horária semanal. O que deixou mais chocada foi pensar que trabalhar com papéis e máquinas tecnológicas seja mais importante que educar seres humanos!

Realmente não entendo como certas revistas e edições educacionais conseguem ter a coragem de questionar qualquer índice de qualidade do ensino, considerando que somos os profissionais mais desvalorizados do Brasil.

De fato, o índice de qualidade da educação no Brasil é vergonhoso, mas justos aos salários que nos pagam, uma vez que a tão e famosa formação profissional usada como justificativa dessa falta de qualidade, não seja de fato fundamental para a garantia de uma educação verdadeiramente significativa e formadora de cidadãos críticos e participativos na sociedade.

Acredito que a qualidade de ensino no Brasil vai além do compromisso e qualificação dos profissionais. Estamos falando de seres humanos que educam seres humanos e de um trabalho que envolve emoção, ação, reflexão e construção da cidadania e garantia de direitos.

Isso significa, salas de aulas com menor números de alunos, evitando a superlotação, materiais didáticos disponíveis, evitando desvio e desperdícios, equipamentos e suprimentos em mãos, qualificação além do blá, blá, blá... e o faz de conta para cumprir metas e gastar recursos. Uma fiscalização adequada e honesta diante dos recursos disponibilizados para a educação. Uma maior atenção diante das retalhações e punições injustas aos profissionais críticos e que verdadeiramente e utopicamente sonham e almejam uma educação mais humanizada e digna.

O que se vê são profissionais que só sabem se queixar, tudo é péssimo, tudo é difícil, nada adianta, e sempre os culpados são o sistema, os políticos, os alunos...etc. Sempre defendi a idéia que precisamos ir além das indignações e exercer o nosso papel social e fazer a diferença. Temos muitos profissionais com o perfil citado acima como em qualquer outra profissão. Mas, temos profissionais que se preocupam e merecem reconhecimento e condições dignas de trabalho. Que lutam e batalham por uma educação de qualidade.

Uso como exemplo o meu profissional, tenho apenas o ensino técnico em Magistério e busco melhorias para educação porque acredito na minha prática pedagógica. Diante do fato de ter apenas 2 anos e 10 meses que assumi o concurso público Municipal de Formosa/GO e já ganhei um prêmio com minha experiência pedagógica no Programa Agrinho com o Projeto em defesa ao meio ambiente e que faço a diferença em sala de aula.

Diferente de muitos profissionais da educação, não trabalho para pagar uma escola particular para meus filhos, pelo simples fato de acreditar em minha prática pedagógica e valorizar meu trabalho.

Se todos os profissionais da educação da rede pública em nosso País ministrassem a prática pedagógica que pagam para que eduquem seus filhos na rede privada, o ensino nas escolas públicas teria níveis altíssimos de qualidade no IDEB e as escolas particulares iriam à falência.

Considerando que a educação assim como a saúde é um direito de todos, deveriam ser a mais valorizadas prestações de serviços do Brasil, uma vez que as duas áreas atendem e desenvolvem garantias de direitos expressos na Constituição Brasileira e trabalham diretamente com vidas humanas.

Considero a formação dos docentes essencial e fundamental, mas não como ferramenta principal para a promoção de uma educação de qualidade, que vai além da coleção de diplomas e certificados dos profissionais.

É preciso e necessário, portanto, uma mudança na concepção do papel dos docentes na atual conjuntura social para a valorização desse papel.

E a percepção da importância desse papel para a fundamentação e promoção de uma educação mais humanizada desenvolvida na totalidade da evolução humana.

Não somos transmissores de conhecimento, para isso temos livros, revistas, internet e outros meios de comunicação em geral. Somos construtores de uma sociedade consciente e justa, que por meio do diálogo fundamenta e fórmula coletivamente a construção da igualdade em respeito à diversidade.

Em suma, os profissionais em educação precisam compreender que a função e o papel social da escola vão além do ensinar/aprender. Estamos falando de pessoas e construção de identidade social, cultural, política, econômica e religiosa, por meio de fundamentos filosóficos e psicológicos que constroem e formam o individuo em cidadão que por si desenvolve papéis em cada ambiente social. E esse processo de desenvolvimentos de papéis que influenciam no resultado social e na construção ou formação de cidadãos críticos e autônomos, ou alienados súditos obedientes permissíveis.

Portanto, tem muito a ser mudado na educação. E principalmente na valorização dos profissionais que atendem essa área, uma vez que lidamos com a construção e formação de identidade sociocultural de cidadãos conscientes de seus direitos e deveres na sociedade como agentes participativos e co-autores de sua história e de uma nação.

16 de mar. de 2010

NÃO INTERESSA A SUA FORMAÇÃO, MAS SIM A DIFERENÇA QUE A SUA PRÁTCA SOCIAL E PEDAGÓGICA FAZ NA VIDA ESCOLAR DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES.

A história da educação é contada e recontada diversas vezes de formas parecidas, diferentes, mas nenhuma muda. Não acrescenta, só educa súditos conhecedores da história e mortos na realidade.

O que se vê são profissionais que só sabem se queixar, tudo é péssimo, tudo é difícil, nada adianta, e sempre os culpados são o sistema, os políticos, os alunos, menos os professores.

Para compreender melhor o que quero dizer vou relatar uma colocação de Bryne (2007, p. 163), “as coisas que você deseja não lhe são dadas por pessoas”. Nosso fracasso e/ou sucesso depende unicamente de uma pessoa.

Na realidade, o ensino educacional se apresenta com a finalidade de “prover as condições e meios pelos quais os alunos assimilam ativamente conhecimentos, habilidades, atitudes e convicções” (LIBÂNEO, 1996, p 29) . A educação acontece de formas diversificadas e em todos ambientes de nosso convívio social, cultural, político e religioso de maneiras diferente. Durante séculos o processo educacional passa por transformações. A evolução acontece os intelectuais aparecem e a sociedade os reprime.

Durante anos em minha prática pedagógica estabeleci um olhar holístico sobre a educação e a formação do profissional dessa área. De repente, me vi frente a uma realidade de profissionais diplomados e sem qualquer práxis pedagógica que atenda as necessidades de seus educandos. Antes, a culpa da má qualidade do ensino era a falta de qualificação dos docentes.
Hoje esse quadro mudou e a educação continua em defasagem e sem qualquer qualidade. Sem contar que ainda não compreendemos que cada um tem um papel social a ser desenvolvido, aliás, diversos papéis sociais a serem desenvolvidos em vários ambientes sociais de nosso convívio.
Os educadores, formadores, são a engrenagem principal da máquina chamada sociedade, todos os profissionais passam pelas mãos de um educador/formador, agora se eles serão bons naquilo que fizerem dependem do que os educadores/formadores promovem e desenvolvem em sua prática pedagógica.

Sinceramente, coloco no chinelo os anos de profissão e a formação de muitos profissionais do Município onde moro. Sou educadora desde os 19 anos, e minha formação é a antiga e prática Técnico em Magistério.

Os profissionais em educação precisam compreender que a função e o papel social da escola vão além do ensinar/aprender. Estamos falando de pessoas e construção de identidade social, cultural, política, econômica e religiosa, por meio de fundamentos filosóficos e psicológicos que constroem e formam o individuo em cidadão que por si desenvolve papéis em cada ambiente social. E esse processo de desenvolvimentos de papéis que influenciam no resultado social e na construção ou formação de cidadãos críticos e autônomos, ou alienados súditos obedientes permissíveis.

Quando me formei no magistério, lecionei durante 8 anos para adolescente e adultos no antigo Científico a disciplina Língua Portuguesa. Enfrentei muitas dificuldades. No entanto, venci todas, falta de condições de trabalho digno, falta de formação e informação. Nada que a prática e a perspectiva se superar obstáculos não superasse. Fui além, muito além de ensinar e aprender. Promovi trabalhos de valorização cultural e social,  desenvolvi projetos que fizeram diferença.

Mas, sentia que podia ir além, que algo muito além do que estava praticando e que poderia ser mudado. Pois, aqueles educandos já tinham uma concepção formada e crava em suas mentes, que dificilmente poderia ser mudadas, talvez adequadas.

Então, decide me dedicar as novas gerações, no principio de sua formação escolar onde começa tudo, e se for bem alicerçada e fundamentada será promovida para a vida inteira.

Então, com apenas o magistério passei em um concurso público municipal e assumi umas turmas de séries iniciais. Na qual realmente faço a diferença e sei promover uma educação de qualidade por meio de práticas e muita pesquisa.

Durante 2 anos e 8 meses aproximadamente, fui perseguida e retalhada por expor minhas concepções de educação e contrariedade pela forma que as escolas difundem seu processo de ensino-aprendizagem.

Cury (2003, p. 79), acrescenta ainda que “os mestres fascinantes podem ser desprezados e ameaçados, mas sua força é imbatível”. Diante dessa, reflexão é importante fazer a diferença.

Meu trabalho, hoje,  com uma turminha de 20 alunos, cada um com suas necessidades e dificuldades. Uma turminha difícil e indisciplinada. Cheguei cheia de gás. Propus a equipe gestora meus projetos e estou fazendo um sucesso, pensa... com apenas o magistério.

Considero a formação dos docentes essencial e fundamental, mas não como ferramenta principal para a promoção de uma educação de qualidade, que vai além da coleção de diplomas e certificados dos profissionais.

É preciso e necessário, portanto, uma mudança na concepção do papel dos docentes na atual conjuntura social. E a percepção da importância desse papel para a fundamentação e promoção de uma educação mais humanizada  e desenvolvida na totalidade da evolução humana.

Não somos transmissores de conhecimento, para isso temos livros, revistas, internet e outros meios de comunicação em geral. Somos construtores de uma sociedade consciente e justa, que por meio do diálogo fundamenta e fórmula coletivamente a construção da igualdade em respeito a diversidade.

Portanto, continuo afirmando que para ser um educador e/ou formador que promove uma educação de qualidade e práticas pedagógicas que fazem a diferença vão além de um currículo de diplomas e certificados. Para ser um educador/formador que faz a diferença é necessário ter um perfil, e estabelecer e definir o seu papel social na educação e exercer esse papel.